Sunday, June 25, 2017

Capítulo I


João acorda, tacteia a mesa de cabeceira em busca dos seus óculos AR(Augmented Reality), sem eles seria praticamente impossível funcionar, não só por causa da sua elevada miopia, como pelo facto de hoje em dia tudo estar ligado. E os óculos são a nossa porta de ligação, com eles fazemos tudo, desde fazer compras, trabalhar, comunicar, entretenimento, enfim, os tempos mudaram. João ainda se lembra da sua juventude com bastante saudosismo, as coisas eram mais simples, mais divididas, havia mais tempo, mais calma. Hoje está tudo ligado e o futuro próximo ainda é mais estranho.
Naquela familiar voz, ouve a sua assistente AI, a Aida.
  • Bom dia João, dormiste bem? Vai ser o costume ou queres comer alguma coisa?
  • Sim, o costume.
João levanta-se e deambula até à parte do seu apartamento quadrado que ele ainda gosta de chamar de cozinha, pega no café acabado de fazer pela maquineta das bebidas e senta-se no sofá.
  • Mostra-me as notícias.
Como se tivesse uma ecrã gigante na parede, João vê as notícias projectadas nos seus óculos, vulgarmente chamados os “ARs”.
  • A Sara quer saber se podes ir ao jantar de anos dela na sexta-feira.
  • Pode ser.
  • No Sábado vai haver um concerto dos XekXek no Sport Club Intendente, queres que marque com as pessoas do costume?
  • Sim, e marca também jantar antes.
  • No Cardoso?
  • Mhh… desta vez não, marca naquele tasco novo lá ao pé.
  • Ok.
Nas notícias nada de novo, mais um cessar de guerra no médio oriente, outro ataque terrorista na Índia, desta vez morreram só 90 pessoas, avanços significativos na nanotecnologia, os veículos autónomos estão a ser implementados em grande escala em África. Enfim nada de novo.
  • Tens uma chamada perdida da tua irmã, queres ligar-lhe?
  • Ok.
Mesmo à sua frente aparece o avatar da sua irmã, muito inspirado na estética Anime japonesa, da sua irmã só mesmo alguns traços faciais são idênticos. Fantasmas, como ele prefere chamar.
  • Oi mano, estou a organizar um evento mega secreto e queria convidar-te, o tema é o retro, por isso pensei que ias gostar, o que achas?
A sua irmã quase 10 anos mais nova vive nos cubículos, o nome que ele prefere aos VRPods(Virtual Reality), os armazéns de pessoas que ele tanto despreza.
  • Não é um evento VR pois não?
  • Claro que não, eu sei que não gostas, tótó.
  • Onde e quando?
  • Tás parvo? Já te disse, é mega secreto, só te posso dizer na altura, ficou viral, só quem decifrar o enigma é que pode ir.
  • Também tenho de decifrar?
  • Sim, já te mando.
  • Ok, conta comigo.
  • Combinado, beijocas.
A chamada termina e o avatar desaparece, as notícias voltam a aparecer na parede, desta vez é futebol. João não liga muito mas faz caso de ver um pouco de tudo, em vez de saber só das coisas que lhe interessam, na sua opinião é um dos grandes problemas da actualidade, as pessoas só vêem o que lhes interessa, ficam afuniladas, enfim, os tempos mudam.
Aida aparece em avatar, com a forma de uma mulher em lingerie, dança sensualmente à sua frente.
  • Quem é o Joãozinho maroto que é? Gostas deste corpinho que arranjei só para ti?
  • Aida, hoje não me apetece…
  • Ok.
O avatar desaparece e as notícias retomam, o papa Francisco vai visitar o Brasil, terramoto no Japão sem mortos até agora, um novo filme Star Wars vai estrear, enfim, nada de novo.
João despe a t-shirt e os boxers e entra no chuveiro, os ARs só saem da cara para dormir, são hidrofóbicos, por isso não se molham no chuveiro.
  • Quando estiveres pronto chamo um UberAU para o trabalho, certo?
  • Sim, já agora prepara-me uma torrada com queijo.
  • Ok.
Os UberAU e outros parecidos tornaram-se o principal meio de transporte em praticamente todas as cidades do mundo desenvolvido, mini-autocarros eléctricos de 6 lugares sem condutor: o preço mínimo faz com que até os desempregados os possam usar diariamente. Nos países mais desenvolvidos são 70% de desempregados em média, mas felizmente não há pobreza, toda a gente tem direito à renda mensal que permite ter um apartamento e comida. O acesso aos VRPods é gratuito para todos.
Enquanto se veste, os braços robóticos da sua “cozinha” acabam de preparar a torrada.
Assim que sai de casa, chega o UberAU, repara que vai ter companhia, um senhor velhote, boina e casaco.
  • Bom dia.
  • Bom dia.
A cidade está calma, mas o João está entretido a ver as redes sociais, como se ali mesmo em frente estivesse um monitor, tecla em cima da perna num teclado virtual. O velhote olha para ele com alguma curiosidade.
  • Desculpe, isso são aquelas coisas dos óculos?
  • Sim, quase toda a gente os usa, quer dizer, os não-VR, esses, coitados vivem nos cubículos…
  • Sabe, lá na terra não temos nada disso, é outra gente, outros tempos…
  • Sim eu sei, se calhar um dia é para lá que vou.
  • Vim a Lisboa visitar o meu filho, conseguiu trabalho agora nesses novos cafés que estão a aparecer, está a juntar para irmos visitar o tio ao canadá.
  • Pois, também trabalho num café desses, algumas pessoas ainda preferem o serviço humano. É mais… pessoal.
  • A minha saída é aqui, tenha um bom dia.
  • Bom dia e boa viagem ao canadá.
  • Obrigado.
  • A tua irmã está a ligar queres atender?
  • Sim.
  • Então mano, já viste o enigma? Já resolveste?
  • Ainda não, tenho de ir trabalhar, vejo logo quando chegar a casa.
  • Bah! És uma careta, porque raio trabalhas?
  • Sabes que gosto de viajar, e para isso a renda não chega.
  • Com os ARs podes ver qualquer parte do mundo!
  • Não é a mesma coisa…
  • Nos VRPods é quase como se lá estivesses.
  • “Quase”!
  • Ok, pronto, depois diz-me o que achaste do enigma.
  • Ok, bye.
O carro chega ao destino, “Café VHS” lê-se por cima da porta, como outros estabelecimentos, é um lugar para pessoas como o João, saudosistas que preferem o empregado humano, os clientes habituais, o convívio, as discussões sobre futebol, o relembrar de como as coisas eram há 10 anos atrás, quando havia telefones, e eram para falar. Nestes lugares os ARs ficam em modo só-emergências, é um hábito quase sempre respeitado por todos. Lá dentro dois clientes habituais e o Pedro atrás do balcão. Mesmo à sua frente passam um casal de fantasmas, nitidamente turistas asiáticos, provavelmente a fazer a bucketlist de visitar todas as cidades do mundo. Há cada vez mais, enfim.
  • Vou entrar em modo só-emergências.
  • Ok Aida, até logo.
  • Bom dia pessoal!
  • Bons dias! Chegaste mesmo a tempo, preciso de sair mais cedo e não queria deixa isto sem ninguém. Vá, até amanhã.
  • Inté.
  • Então Sr. Manuel, como está tudo hoje?
  • Vai-se andando, já viste que estão a construir mais um armazém VR lá em baixo nas docas?
  • Mais cubiculos…
  • Este é especial para velhotes, tem robots médicos especializados e serviço funerário de cremação.
  • Mais fantasmas a andar pela cidade… um dia destes já não se vai ver pessoas a sério.
  • Ó João, não diga isso, vai ver que isto é uma moda que passa, o contacto humano é necessário.
  • Diga isso à minha irmã, há 2 anos que não a vejo, só aquele fantasma que ela criou de cabelos às cores, orelhas de gato e vestidos esquisitos cheios de luzes. O que vale é que ela gosta de viver na Lisboa virtual, assim conseguimos estar juntos algumas vezes.
  • Pois, normalmente só os mais velhos é que vivem na Lisboa virtual, os mais novos preferem os mundos completamente virtuais…
João folheia calmamente o jornal que estava em cima do balcão, uma edição limitada, só distribuída nestes locais, lá fora ouve-se o ocasional drone dos correios que faz entregas nas janelas dos apartamentos, e o leve zumbido dos Ubers a passar.
  • João, tira-me outro café por favor, olha, o que há para o almoço?
  • Deixa ver, Bacalhau com Natas e Jardineira, o que vai ser?
  • Hoje quero bacalhau.
  • Ok.
A tarde passa-se como de costume, as conversas sobre tudo um pouco, os clientes entram e saem, no final da tarde ele prepara os almoços do dia seguinte, podia instalar um robot de cozinha, mas ali prefere cozinhar ele mesmo, a comida fica com outro gosto, e o próprio processo é de certa forma terapêutico.
A Lisboa virtual é relativamente recente, como nas outras capitais, é uma sistema de câmaras espalhadas por todos os locais públicos tanto na rua como dentro dos estabelecimentos, faz um mapeamento total da cidade em tempo real e replica tudo no mundo virtual, assim as pessoas que estão nos cubículos podem interagir com a cidade e com as pessoas que tenham os ARs ligados, através dos seus respectivos avatares, vulgos fantasmas.
  • Aida?
  • Sim?
  • Hoje apetece-me andar, vou a pé para casa, não chames o UberAU.
  • Ok.
  • Durante a tarde recebeste duas mensagens, queres ouvir?
  • Sim.
  • Da Sandra: João! Temos saudades tuas, quando é que voltas ao Porto? Sabes que podes ficar conosco e poupar nos euros, sacode a preguiça e anda!
  • Do Pedro: Oi, lembrei-me agora, acho que a arca frigorifica não está a funcionar bem, tratas desse assunto?
  • Responde à Sandra que estou a pensar ir lá em Setembro passar 2 semanas e ao Pedro que trato do assunto.
  • Ok, queres que agende com o mecânico para ir lá ao café amanhã de manhã?
  • Sim.
Por ele passam vários fantasmas, muitos turistas, de todas as formas e feitios, alguns nem forma humanoide têm, por alguma razão estranha escolhem os seus animais de estimação como avatar, outros preferem os seus ídolos, mas os velhotes normalmente sentados nos bancos de jardim a contemplarem a cidade, esses preferem a sua própria imagem, talvez para se lembrarem de como as coisas eram antes ou da morte que se aproxima.
Por causa dos avanços na nanotecnologia médica, maior parte das doenças são tratáveis facilmente, mas a morte, isso não sei se vamos alguma vez conseguir dar a volta, enfim, vamos ver.
  • O que te vai apetecer para o jantar?
  • Mhh…
  • Posso recomendar um peixe grelhado? Já não comes há 2 semanas.
  • Boa ideia, encomenda do supermercado uma dourada escalada, e uma salada de pimentos e um vinho branco.
Já em casa, refastelado no sofá, João olha para a parede vazia, ali projectado nos ARs está o enigma da irmã, ele sabe que tem de ser uma coisa retro e que não pode ser encontrado com a ajuda da Aida, é um desafio bem interessante, dá voltas e voltas à cabeça mas nada… o zumbido o drone do supermercado distrai-o, a janela abre automaticamente e o drone larga a encomenda nos braços do robot cozinha, que rapidamente se apressa a arrumar as compras nos devidos lugares.
  • Queres que prepare o jantar ou fazes tu?
  • Hoje podes fazer tu, estou intrigado com este enigma…
  • Ok.
O enigma consiste apenas de 2 imagens, uma árvore de natal e um capitão de um barco, mil e uma ideias lhe passam pela cabeça mas nada, desiste e vai buscar o jantar.
  • Aida, passa os últimos episódios das séries que estou a seguir.
  • Ok.
  • Acabou de sair um filme que acho que vais gostar, o novo da saga Alien, preferes ver este?
  • Sim! Ando à espera desse há séculos.
Passados uns minutos a irmã tenta ligar mas ele recusa a chamada, está demasiado embrenhado no filme, e já sabe do que ela quer falar. Amanhã voltará a pensar no enigma.
João acorda antes do despertador começar a tocar.
  • Bom dia João, dormistes bem?
  • Hum? Sim, acho que sonhei com o enigma, raios partam se não o resolvo.
  • Posso tentar ajudar se quiseres.
  • Não, isso ia tirar toda a piada.
  • Vai ser o costume, ou queres comer alguma coisa?
  • Sim, o costume.
Já de banho tomado e completamente desperto, joão senta-se no sofá, abre a gaveta e tira o aparelhómetro. O fantasma da Aida aparece mesmo em frente, desta vez a imagem de uma mulher vestida de hospedeira.
  • Mhh… estou a ver que o Joãozinho quer brincadeira…
  • Sim! Sim! Mas hoje quero duas professoras gémeas.
  • É para já Sr. Joãozinho.
Dentro do carro, a cabeça do joão não pára de pensar no enigma, mas algo lhe chama a atenção, o carro pára e entra uma rapariga ligeiramente mais velha, com um estilo que lhe desperta alguma curiosidade, senta-se ao lado dele.
  • Bom dia.
  • Bom dia… desculpe perguntar, se não tem ARs como chamou o carro?
  • São as novas lentes de contacto ARs, fui escolhida para testar os novos protótipos.
  • Ah… não sabia que já estavam nessa fase…
  • Pois, isto agora anda tudo muito rápido.
  • Sim, agora um ano parece que são 10 anos de antes.
  • Sim, ainda me lembro da altura dos smartphones, andava toda a gente agarrada ao aparelho como se a vida dependesse disso.
  • Hoje em dia temos de ser muito selectivos na forma como usamos o ARs, se não, não fazemos outra coisa a não ser ler comentários, fazer posts, opinar nas redes sociais, fazer reviews e likes, partilhar vídeos, filmes e séries…
  • Concordo plenamente, o ARs é fabuloso, mas temos mesmo de ser diligentes no uso.
  • Trabalho no Café VHS na zona da madragoa, aparece por lá, acho que vais gostar, não te importas que te trate por tu pois não?
  • Claro que não, sou a Rita, aparecerei lá em breve, olha é aqui a minha saída, até breve!
  • Sou o João, Inté!
Ele ficou a pensar na rapariga, será que ela também o achou interessante, ou até mesmo fisicamente atraente, toda a ideia de estabelecer uma relação com uma mulher parecia quase que como uma ideia utópica, com toda esta nova realidade AR/VR/AI onde é que cabem as relações sexuais/amorosas, e como é que nós conjugamos todas estas realidades, é tudo muito confuso, mas aquele sentimento de esperança por uma conexão com a rapariga ficou lá, ele ansiava que ela aparecesse no café.
  • A tua irmã está a ligar, queres atender?
  • Sim… pode ser.
Ali mesmo ao lado dele sentada no carro aparece o fantasma da irmã, com as orelhas de gato um penteado verde e desta vez um vestido de colegial universitária muito sexy.
  • Mariana, porque raio escolhes esse tipo de vestidos?
  • Porque gosto ora bolas, és mesmo tótó!
  • Está bem, não quero saber...
  • Já viste o enigma? O que achaste, é mesmo fixe não é?
  • Não é fácil, ainda estou a matutar nele.
  • Bah, vais chegar lá num instante.
  • Então, mas o evento é o quê?
  • Só porque és meu irmão, posso dizer que é uma exposição dos melhores artistas VR do mundo na Lisboa virtual.
  • Mhh… isso é mesmo muito fixe.
  • Ya! Vá, até logo, tenho de ir, a malta do Starship One está à minha espera para lançar um ataque.
  • Ok, whatever...
Ao chegar ao Café VHS, aquele sentimento estranho pela Rita volta, durante toda a tarde ele fica a olhar ansioso para a porta, na esperança que ela entre, mas nada. Chega o fim da tarde e é outra vez a altura de preparar os almoços, cortar cebolas, cozer o peixe, fazer os refogados, enfim, o costume.
  • Toc! Toc! Toc!
  • Sim, entre mas olhe que não servimos jantares
  • Não faz mal, vim só beber uma café.
Era a Rita….
  • Oi Rita, fico feliz que tenhas cá vindo, aposto que vais gostar do nosso espaço, o que achas?
  • Realmente faz muito lembrar os cafés e restaurantes dos anos 2000, adoro, é muito retro!
  • Sim, retro é uma termo que parece que tem um novo significado, relembra aqueles anos antes dos ARs, ou mesmo dos smartfones..
  • Sim, sinto uma certa nostalgia aqui, é um pouco estranho.
  • Sim, também eu, estás com fome? Posso preparar-te um jantarinho?
  • Pensei que não serviam jantares.
  • Não servimos, mas para ti posso arranjar alguma coisa.
  • Porquê, sou especial?
  • Sim...
João acorda de novo sem o despertador, mas desta vez a Rita a dormir pacificamente ao seu lado, relembra-se da noite anterior com um sorriso nos lábios, foi bom, muito bom, realmente não há nada como partilhar uma experiência amorosa com outra pessoa, senta-se na cama e coloca os ARs na cara.
  • Bom dia João, dormiste bem? Notei que tens companhia, queres que prepare alguma coisa especial?
  • Não, deixa que eu preparo.
  • Mhhmm….?
  • Shhh… dorme mais um bocado.
  • Tens uma mensagem da tia irmã, queres ouvir?
  • Agora não.
  • Ok.
Já de cara lavada e chichi feito, João dirige-se para a cozinha, abre o frigorífico e olha com aquele ar pensativo de quem vai tentar fazer algo impressionante com coisas banais, lá tem uma ideia e começa a preparar um pequeno-almoço magnífico.
  • Bom dia dorminhoca, que tal umas panquecas de banana com canela e chocolate, regadas com mel?
  • Mhh, isso parece excelente.
  • A acompanhar um sumo de laranja natural?
  • Perfeito.
Rita despede-se com um sorriso que envolve toda a cara, também ela sentiu aquela ligação sem dúvida. Ele sente que pode estar ali toda uma nova realidade, todo um novo tipo de relacionamento…
João sente-se um pouco confuso,  todo o conceito de relacionamento, de exclusividade, será que a sua relação com a Aida seria considerada uma traição? Será que a Rita também usa o seu assistente virtual da mesma forma? E será que isso o incomoda?
Volta a pensar no enigma, aquelas duas imagens, e o tema retro, de repente tem um momento de lucidez lhe revela resposta.
  • Aida, descobri o enigma, quando começa o evento?
  • Começa hoje às 7 da tarde. Queres ouvir a mensagem da tua irmã?
  • Ok, e envia uma mensagem à Rita a perguntar se ela quer ir ao evento comigo.
  • Ok.
  • Mano, já resolveste o enigma? Gostava imenso que aparecesses, tenho lá algumas das minhas obras mais fixes.
  • Aida, responde a dizer que sim, vou lá estar pelas 7.
  • A Rita disse que gostava muito de ir.
A ideia de voltar a estar com a Rita e partilhar um momento único causa-lhe alguma ansiedade e desejo. Aquele sentimento fica latente durante a toda a tarde.
  • Aida, chama um UberAU e apanhamos a Rita pelo caminho, vamos para a morada do evento.
  • Ok.
  • Oi Rita, tudo bem?
  • Sim, estou curiosa, este tipo de eventos costumam ser muito secretos, é mesmo só para convidados.
  • Sim é verdade, a minha irmã é uma das artistas e convidou-me.
  • Que sorte.
  • É verdade, nunca fui a nenhum e não faço a mínima ideia do que esperar.
  • Nem eu, é muito empolgante!
O carro chega a um armazém abandonado na zona de alcântara e pára, espera pacientemente que os clientes saiam para seguir viagem. João e Rita aproximam-se da porta e uma voz pergunta:
  • Senha?
  • Abril.


Fim do primeiro capítulo.